Euridece Pacheco | 22/05/2025
Terra à vista! Em observância ao reordenamento e aprofundamento das relações Sul-Sul, materializadas radicalmente no novo contexto do capitalismo do século XXI, a América do Sul, de forma ampla e aguda, transformou-se em um universo “made in China”, cujo processo engloba o vendedor de camelô ao sojicultor, num comungar da presença chinesa nos mais diversos aspectos da vida cotidiana, de maneira declaradamente pacifista, utilizando-se de acordos comerciais e, obviamente, de mercados ávidos por investimentos, especialmente, os vultuosos.
A China, com o PIB de um pouco mais de US$ 18 trilhões, configura-se como a segunda maior economia do mundo, sendo também uma potência geopolítica e econômica e, ainda, a maior compradora internacional de matérias-primas. Destarte, à luz de Moreno (2015), em total ascendência como potência global, a China demonstra seu poderio em questões relativas à política, economia e segurança internacional, configurando o cenário o qual os analistas definem como o fim do Século Americano e o início do Século do Pacífico, tendo o continente asiático como o novo centro das dinâmicas ditadoras do mercado mundial.
Assim, nessa colossal conjuntura, na qual as economias de todo globo, em maior ou menor grau, encontram-se correlacionadas com a economia chinesa, entrelaçadas numa engrenagem sem igual, uma conexão inédita entre o Porto de Santana, no estado do Amapá, extremo Norte do Brasil, e o Porto de Gaolan, na cidade de Zhuhai, na China, foi estabelecida oficialmente em abril deste ano. A iniciativa, resultante de acordos bilaterais, reforça o posicionamento do governo brasileiro como parceiro estratégico da China e, por conseguinte, coloca o Amapá no centro da nova rota marítima internacional.
A nova artéria de logística marítima inicia na grande área da Baía de Guangdong-Hong Kong- Macau – região de estratégia nacional e importante centro de negócios do Sul da China, composta por nove cidades da província de Guangdong, e pelas Regiões Administrativas Especiais de Hong Kong e Macau -, e vai diretamente para o Porto de Santana e Porto de Salvador, no Brasil. Além de fornecer assistência precisa, estável e diversificada, a viagem Zhuhai-Brasil servirá como uma solução de logística completa para mercadorias a granel, como produtos agrícolas e minerais, bem como mercadorias em contêineres, como produtos eletrônicos, equipamentos, máquinas, etc.