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Hidrovia Rio-Mar

Euridece Pacheco | 23/07/2025

Rota Tucujú do Comércio Internacional

O Brasil possui dimensões continentais, compondo 47% de todo território da América do Sul, na qual é fronteiriço a quase todos os países que a compõe (IBGE, 2018). Sua população é a 6ª maior do planeta, tendo a região amazônica como a reserva biológica mais rica do mundo. Sob essa lógica, e partindo da premissa da capacidade tecnológica e inovadora brasileira na produção de alimentos, fibras e energia, tanto para o abastecimento interno, quanto para empreender junto ao mercado mundial, a tendência é que o Brasil torne-se cada vez mais indispensável ao comércio internacional, especialmente o alimentício, considerando que, segundo as projeções da Organização das Nações Unidas (ONU), em 2030, a população mundial alcance o quantitativo de 8,7 bilhões de pessoas e, até 2050, esse número seja de 9,7 bilhões.

Diante da tamanha responsabilidade global de exportação, especialmente de grãos e proteína animal, assim como considerando as diversas oportunidades de empreender frente ao novo ciclo do comércio internacional, o Brasil, atualmente, possui um modal rodoferroviário de escoamento da produção concentrado nos portos das regiões sudeste e sul, fato que compreende um custo logístico bilionário aos cofres do governo. Desse modo, o incentivo ao transporte hidroviário pelo interior do país instituiu-se como um mecanismo estratégico no vislumbre de reduzir o custo-Brasil através do barateamento do frete, garantindo dinamismo, competitividade e integração aos novos fluxos e rotas comerciais globais. Assim, as hidrovias passaram a configurar uma maneira mais econômica de desafogar as malhas de exportação já existentes, ampliando o potencial de crescimento do país, e elevando ao máximo sua capacidade de ser e manter-se como protagonista no contexto da economia mundial.

Nessa conjuntura, as políticas públicas voltadas para a Amazônia brasileira fortaleceram-se rumo às várias possibilidades de aproveitamento dos rios da região, dentre os quais, o maior de todos, e segundo maior do mundo em extensão, o Amazonas. Desde os tempos da colonização à reconfiguração geopolítica do capitalismo contemporâneo, o rio Amazonas mantém-se titânico nas narrativas poéticas e patrimônio geoestratégico-governamental. Com um número diversificado de afluentes, compõe a maior bacia hidrográfica do globo e possui vasta extensão territorial. Seus 6.447km transportam e comandam a vida de milhares de cidadãos por toda região amazônica. São verdadeiras “artérias”, caminhos desenhados no coração da floresta. Contudo, de acordo com Lins (2012),sob o aspecto do escoamento de riquezas, a “Estrada Real”ainda tem singrares tímidos e inversamente proporcionais à grandiosidade ocupada por ele no tocante ao patamar da relação Brasil e a economia do planeta.